29 março, 2009

Chamada de trabalhos: Simpósio Brasil-Alemanha

O prof. Renato Perissinotto enviou-nos a seguinte mensagem. Reproduzimo-la aqui, para divulgar o evento e convidar os interessados a submeterem trabalhos.

Prezados Colegas,

eu, junto com o colega e professor alemão Harmut Sangmeister, estamos organizando um Grupo de Trabalho no Quarto Simpósio Brasil-Alemanha, cujo conteúdo apresento abaixo. Este email é para convidá-los a submeter propostas de trabalhos individuais ao nosso GT. As inscrições ocorrerão entre 16 de março e 20 de abril e poderão ser feitas no seguinte endereço eletrônico: http://www.symposium-curitiba.ufpr.br/index1.html. O simpósio propriamente dito ocorrerá de 5 a 10 de outubro de 2009.
Att.
Renato Perissinotto

Este Grupo de Trabalho pretende discutir o processo de industrialização na América Latina a partir de uma perspectiva histórica e comparada. O objetivo é contar com a colaboração de pesquisadores de diversas áreas de atuação, notadamente da economia, sociologia, ciência política e história. Objetiva-se, assim, traçar um quadro inicial que contribua para uma explicação do processo de industrialização na América Latina que seja, ao mesmo tempo, histórica e multicausal. Os coordenadores do Grupo são receptivos tanto a trabalhos mais substantivos quanto a textos que tenham caráter metodológico.

28 março, 2009

Instruções de Smelser III


Isso é útil para todos: (a partir de SMELSER, Neil J. Comparative Methods in the Social Sciences. N. J., Prentice Hall, 1976.)

6) Dois importantes e recorrentes problemas das inferências causais: a falácia ecológica e a falácia individualista:

Um importante problema que afeta as inferências causais consiste em, a partir de dados e associações entre variáveis observadas num dado nível, produzir inferências causais para um outro nível. Especificando: o analista coleta dados no nível individual (como atributos pessoais, motivações políticas subjetivas etc.) e a partir desses dados e das associações constatadas nesse nível faz inferências para o nível da estrutura social (como, por exemplo, estabilidade do sistema democrático). Portanto, é muito importante estar atento aos diversos níveis de análise. Em geral, os dados são coletados nos seguintes níveis: a) individual: variáveis relativas aos atributos de pessoas individuais: idade, sexo, atitudes etc.; b) atributos agregados da população: por exemplo, a média de renda de uma população, o percentual de mulheres, de democratas etc.; c) interações sociais padronizadas: dados referentes aos papéis e estruturas sociais, como, por exemplo, a “estrutura familiar”, quando dizemos que as mesmas pessoas (o homem adulto categorizado como pai, a mulher como esposa etc.) vivem sob um mesmo teto numa situação relacional; d) padrões culturais: variáveis referentes a valores, visões de mundo, conhecimento, símbolos de uma coletividade, como os cristão, os judeus etc. (226-227).

Transitar de um nível para outro pode nos levar a cometer dois tipos de falácias: (i) a falácia ecológica (ou falácia do grupo), que consiste em coletar dados agregados e, a partir deles, produzir consideração sobre os indivíduos. Por exemplo, imagine-se que a renda média do brasileiro é menor que a renda média do argentino. Seria falácia ecológica achar que se pegarmos qualquer brasileiro aleatoriamente e qualquer argentino aleatoriamente, o brasileiro forçosamente teria uma renda menor que o argentino; (ii) falácia individualística, que consiste no contrário, coletar dados a partir do nível individual e fazer inferências globais. Por exemplo, constatar que os indivíduos têm disposições políticas democráticas e afirmar que isso está ligado à estrutura do sistema político, como se atributos individuais se traduzissem mecanicamente em atributos sistêmicos (227).


Portanto, é perigoso fazer inferências num nível de análise diferente daquele em que os dados e as associações foram observadas. Além disso, é preciso haver correspondência entre o nível de análise e o conceito analisado. Por exemplo, generalizações sobre o “caráter nacional” devem ser feitas com base em dados individuais sobre atributos de personalidade, visto que o conceito é elaborado em termos individuais (este caráter descreve um tipo de personalidade) (229).

Instruções de Smelser II


Vejam que interessante a passagem abaixo, retirada do livro de Neil Smelser, Comparative Methods in the Social Sciences. N. J., Prentice Hall, 1976, relativa à construção de conceitos abstratos e busca de indicadores empíricos, passagem citada do livro de um economista, Kuznets, Quantitative Economic Research:

"Pode-se argumentar que limitar a escolha de pressupostos [teóricos] àqueles que refletem o consenso da sociedade e a escolha de teorias àquelas baseadas na realidade observável, ainda que simplificada, é indispensável se se espera que alguma contrapartida empírica seja encontrada e que alguma mensuração econômica seja possível. É extremamente difícil encontrar referentes empíricos para um conjunto de objetivos e regras radicalmente diferentes dos predominantes, o que, eventualmente, pode nos ajudar a explicar a fraqueza empírica dos escritos dos críticos que se posicionam fora da teoria econômica ortodoxa" (180).

Ou seja, como nenhuma mensuração, como nenhum índice é neutro, mas sempre construído a partir de determinados pressupostos teóricos e mesmo filosóficos, os indicadores empíricos são construídos a partir de determinadas pressupostos da "teoria ortodoxa", de modo que aquele que queira desenvolver uma "teoria crítica" terá, entre outras, a dificuldade de encontrar medidas que sejam adequadas às suas questões e aos seus conceitos. Isso, por sua vez, nos ajudaria, ao menos em parte, a entender porque as "teorias críticas" são, em geral, mais fracas do ponto de vista de sua base empírica. Ou seja, esse é um elemento importante a ser introduzido naquela discussão sobre a fragilidade das proposições de Bourdieu sobre o poder. Aliás, ele próprio faz a crítica dos dados produzidos pelas agências francesas de sociometria. Mas seria interessante observar que todos os dados coletados pelas sociedades contemporâneas permitem apenas visualizar diferenças na quantidade de capital; não há dados coletados com o espírito de revelar formas de dominação simbólica. Dessa forma, só se pode correr atrás desse fato por meio da pesquisa qualitativa.

Instruções metodológicas de N. Smelser


Alguns testes para averiguar a força de uma teoria, de acordo com Smelser:
SMELSER, Neil J. Comparative Methods in the Social Sciences. N. J., Prentice Hall, 1976.

1) Toda teoria contém uma mistura de condições paramétricas (tidas como constantes) e variáveis operativas (isto é, condições que variam e, por isso, são explicativas). Qualquer teoria deve ser avaliada em termos do que ela considera como variável e como constante. Se uma teoria "congela" certas variações empíricas, transformando-as em paramétricas (isto, assumindo-as como constantes), isto deve ser considerado como um procedimento legítimo e necessário a fim de produzir uma "teoria manuseável". Ao mesmo tempo, ao deixar isso claro, não se pode esperar da teoria que ela explique variações naquilo que ela assume como constante. Ou seja, isso ajuda deixar claros os limites da teoria.

2) Qualquer teoria deve ser também avaliada em termos da distinção entre afirmações que se baseiam em observação empírica e afirmações que se baseiam em "outros tipo de conhecimento" (pressupostos psicológicos, senso-comum, deduções lógicas etc.) que não pode ser diretamente avaliado. Examinando uma teoria nesses termos podemos dizer quanto dela baseia-se em especulação (240).

3) As teorias devem ser avaliadas também quanto às dimensões desse "outro conhecimento" que permanecem implícitas. Por exemplo, quando se utiliza determinados dados, mesmo que estatísticos, para desvendar uma relação causal, é preciso deixar claro quem coletou e como foram coletados os dados, pois esses dois itens formam pressupostos teóricos não explicitados.

4) Por fim, sobretudo para o método comparativo, qualquer teoria deve ser examinada com vistas a saber se seus parâmetros - isto é, aquelas condições que ela encara como constantes - podem ser de fato generalizáveis para todas as unidades que compõem o estudo comparativo. Por exemplo, poderíamos dizer que, ao comparar os seus casos, Barrington Moore transforma a mercantilização da economia agrária tradicional, pré-capitalista, numa condição paramétrica, presente em todos os casos e que, para fins de viabilização da pesquisa, assume-se ser em geral parecida em todos os caso. O que variam (as variáveis operativas) são outras condições: natureza da relação entre as classe, a existência/ausência de uma burguesia comercial e industrial forte, a existência/inexistência de aristocracia agrária forte, a existência/inexistência de uma classe camponesa forte etc. Questão: seria a mercantilização da agricultura uma condição paramétrica de generalização válida para os casos em questão? Claro, isso é apenas para ilustrar.

Dica de livro interessante

F. Simiand, Método histórico e ciência social. Edusc, 2003.

É uma conferência na Sociedade de História Moderna e Contemporânea de Paris em 1903.
Saiu cem anos depois no Brasil pela Edusc.
Recomendamos devorá-lo.

tema do
cap.1: a objetividade do social
cap 2: a crítica da posição que sustenta que o social é uma "abstração" cientificista
cap.3: a possibilidade lógica de explicação científica do social
cap. 4: como pensar o contingente e o acidental na história do ponto de vista da Sociologia
cap. 5: o estatuto do documento (escrito) como evidência das evidências
etc., etc., etc.

25 março, 2009

Barrington Moore, Jr. (3a. sessão da oficina)

[Coffee workers walking along
a path through the fields. 1939.
John Phillips. Life]



Barrington Moore, Jr. was “old school.” Professor Moore went to private schools as a youth, graduated from Yale, and never fought for tenure at Harvard because he lived on inherited wealth. He spent half of each year sailing, taught only two classes per year, and required anybody wanting to take one of his courses to first demonstrate that they could write decent prose.
His first book, Soviet Politics (1950) examined a number of dilemmas facing Communist leadership and the citizenry. How does this society manage the inconsistency between its founding, egalitarian ideology and the facts of dictatorship and repression? How does Russia manage its development of a technological, wealthy economy, while exercising rough justice and discouraging free speech and inquiry? What role does international relations have in maintaining a closed society? To what degree does industrialization impose harsh measures in any society?


Charles Tilly, Columbia University, Canadian Journal of Sociology Online January 2006:

At Harvard, Moore was reluctant to take on the routine administration and petty politics of university departments; only late in his career did he move from lecturer to professor. Meanwhile he spent most of most summers on his yacht, sailing out of Bar Harbor [...]

His closest friends (and most frequent guests on his yacht) were typically intellectual radicals such as Herbert Marcuse and Robert Paul Wolff. When Moore worked, he went at it with ferocious energy, never publishing until he had gotten the argument more or less right. [..]

After earlier books on Russia, totalitarianism, and contemporary politics, Moore turned to an even larger polemical task: an effort to discredit the tracing of 20th century forms of politics, especially totalitarianism, to the effects of industrial capitalism. He proposed instead to demonstrate the agrarian origins of contrasting 20th century political systems, especially what happened to landlords and peasants as agriculture commercialized.

Of course Marxist analyses of the transition from feudalism to capitalism provided an intellectual context for Moore’s effort. But Moore spurned Marxist reductionism, or any other reductionism. Speaking of the French nobility’s drive to regain autonomy during the later 18th century, for example, he remarked that French aristocrats had employed state-backed political means to extract income from peasants, and in that regard differed from the hands-on economic management and local political power of their English counterparts. “It is also at this point,” he remarked: "that any simplified version of Marxism, any notion that the economic substructure somehow automatically determines the political superstructure, can lead one astray. The political mechanism was decisive, and the peasants at the time of the Revolution revealed sound".

This line of analysis set many of Moore’s students and admirers off on the search for “political mechanisms” that interacted with economic transformation and affected its outcomes.

Social Origins revivified a comparative-historical sociology that had languished as social scientists turned away from grand schemes of human evolution. It did so not by legitimating new forms of cosmic speculation, but by demonstrating the value of close, critical, comparative syntheses using material drawn from other people’s historical research. The book completed, Moore displayed intellectual self-abnegation few others would have managed: he suppressed chapters on Germany and Russia that had circulated for years in dittoed, repeatedly rewritten, drafts. He explained that the chapters were no longer essential to his argument, since other scholars had recently published excellent syntheses concerning the two countries.


Another theory as to why Moore never became tenured, according to Walder, was because of his fundamental disagreements with Talcott Parsons, the monumental Harvard sociologist who taught at the University from 1927 to 1973. Moore “just did not see eye to eye with Parsons on intellectual matters. I don’t think they got along very well,” Professor Andrew G. Walder, a friend who sailed with Moore almost every day, said.
Moore was reclusive, sharp, and demanding in the classroom. According to Skocpol, students had to write a five-page essay to gain admission to his graduate school class. She described him as a “very old-fashioned, rigorous professor, but very inspiring.”

Skocpol recalled that Moore conducted class in a “Socratic-totalitarian” manner, cold-calling students and moving on abruptly if he deemed their answers less than satisfactory.

Moore was an avid sailor and, according to Walder, would spend around six months per year living alone on his sailboat, which was docked in Maine.

Moore was also known to invite his favorite few students to his house to dine with him and his wife, Betty, a few times a year.
“He could be very warm and engaging on those occasions when he invited you to his house,” Skocpol said. “Usually at nine o’clock sharp, he would stand up and say ‘It’s bedtime,’ and the night was over.”

01 outubro, 2008

European Social Science History Conference

The ESSHC 2010 will take place in Ghent, Belgium at the Bijloke Site, from Tuesday 13 April up to and including Friday 16 April 2010. (Conference desk will open on Monday afternoon, April 12)
Call for papers

For the call for papers and information on registration, please click here.

The Conference welcomes papers and sessions on any historical topic
and any historical period.

It is organized in a large number of networks: Africa Antiquity Asia Criminal Justice Culture Economics Education and Childhood Elites Ethnicity and Migration Family and Demography Geography Health - History and Computing Labour Latin America - Material and Consumer Culture - Middle Ages Oral History - Politics - Religion Rural Sexuality - Social Inequality Technology Theory - Urban Women and Gender - World History

The conference

ESSHC The ESSHC aims at bringing together scholars interested in explaining historical phenomena using the methods of the social sciences. The conference is characterized by a lively exchange in many small groups, rather than by formal plenary sessions. The conference is organized in a large number of networks which cover a variety of topics. It welcomes papers and sessions on any topic and any historical period. See the guidelines for papers and sessions. Read more about the ESSHC and past conferences.

Organization
The European Social Science History Conference is organized by the International Institute of Social History (IISH), an institute of the Royal Netherlands Academy of Arts & Sciences. Information on the IISH is available from its website at http://www.iisg.nl.
At the IISH Els Hiemstra is responsible for the ESSHC.

Contact

ESSHC Conference Secretariat
c/o International Institute of Social History
Cruquiusweg 31
P.O. Box 2169
1000 CD Amsterdam
the Netherlands
tel: + 31 20 66 858 66
fax: + 31 20 66 541 81
e-mail: esshc@iisg.nl


19 setembro, 2008

IIº ENCONTRO DA REDE INTERNACIONAL MARC BLOCH DE ESTUDOS COMPARADOS EM HISTÓRIA – EUROPA / AMÉRICA LATINA

21-24/10/2008 - Auditório do Prédio 5 – PUCRS, Porto Alegre
“PENSAR AS ESCALAS DA HISTÓRIA COMPARADA”

Dia 21/10/2008 – 17h30m Conferência de abertura:
Maurice Aymard (EHESS):
"La longue durée, cinquante ans après : bilan et perspectives".
Sessão conjunta de abertura do II Encontro da Rede Marc Bloch e do Congresso Internacional de Estudos Ibero-americanos

Dia 22/10/2008 – 14h - Mesa 1: Configurações dos espaços políticos: práticas, vínculos e representações

Marta Bonaudo (UNR, Rosario, Argentina)
Andrea Reguera (Unicen, Tandil, Argentina)
Flávio M. Heinz (PUCRS, Porto Alegre)
Adriano Codato (UFPR, Curitiba): "Estado, elites, ideologia e instituições: o Estado Novo no Brasil, de novo"

Dia 23/10/2008 – 08h30 - Mesa 2: Fronteiras

Susana Bandieri (UNCo, Argentina)
Sandra Fernadéz (UNR, Rosario, Argentina)
Luís Augusto Farinatti (UNIFRA, Santa Maria)
Heloísa Reichel (UNISINOS, São Leopoldo)

Dia 23/10/2008 – 14hMesa 3: Instituições, direitos e conflitos

Karl Monsma (UNISINOS, São Leopoldo): "O comerciante, o estancieiro e o militar: noções divergentes de honra no Rio Grande do Sul antes da Guerra Farroupilha"
Nadia de Cristóforis (UBA, Buenos Aires): “Los mecanismos de asistencia oficial en el último ciclo de las migraciones gallegas hacia la Argentina”
Raúl Fradkin (UNLu, Luján; UBA, Buenos Aires): "Tradiciones coloniales y naturaleza de las fuerzas beligerantes en el litoral rioplatense durante las guerras de la revolución"
Jurandir Malerba (PUCRS, Porto Alegre): "A lógica do ordenamento jurídico no Brasil do século XIX"

Dia 24/10/2008 – 8h30h - Mesa 4: Políticas públicas, associativismo e atores sociais no meio rural

Mónica Blanco (Unicen, Tandil)
Ana Teruel & María Teresa Bovi (UNJu, Jujuy): "Aportes al estudio de la conformación de la propiedad moderna en Argentina. El caso de la provincia de Jujuy"
Graciela Blanco (UNCo, Argentina): "Los actores sociales de la ganadería norpatagónica: políticas públicas y formas asociativas en las primeras décadas del siglo XX"
Marluza Harres (UNISINOS, São Leopoldo)

Dia 24/10/2008 – 14h - Mesa 5: Tentativas e aproximações de história comparada (programação em reformulação)

Dia 24/10/2008 - 19h - Conferência de Encerramento:
Rosa Congost (Universidade de Girona - Espanha)